Segundo a estimativa mais conservadora da ONG de conservação ambiental WWF, algo entre 200 e 2 mil espécies são extintas todos os anos – o suficiente para atribuir à ação humana o sexto e mais recente fenômeno de extinção em massa da história da Terra (o último, como você deve imaginar, é o meteoro que acabou com os dinossauros).
No meio dessa devastação toda, porém, os ativistas podem se orgulhar de uma vitória: a população de tartarugas marinhas, afirma um artigo científico publicado na Science, aumentou em quase todos os lugares do mundo nos últimos 15 anos. Para chegar à conclusão, foram analisadas 299 planilhas geradas por instituições e fundos de preservação, que continham ao todo 4417 estimativas anuais sobre a quantidade desses animais nas praias e mares de todos os continentes. Foram identificadas 95 áreas de preservação de tartarugas em que os números subiram, contra apenas 35 em que a quantidade de animais diminuiu.
Existem sete espécies de tartarugas marinhas no mundo. Cinco vivem em águas brasileiras e estão ameaçadas de extinção. A destruição do habitat, exploração dos recursos naturais e introdução de espécies exóticas, além da caça, da coleta de ovos e da poluição das praias são as principais ameaças.
No entanto, os índices de crescimento das populações se mostram positivos. “As populações das cinco espécies de tartarugas marinhas estão aumentando. Artigos científicos mostram a tendência no aumento do número de fêmeas e ninhos em áreas de desova”, explica José Henrique Becker, coordenador técnico da Fundação Pró-Tamar.
Henrique conta que as ameaças às tartarugas mudaram. “A caça de fêmeas para consumo da carne e consumo de ovos, prática que foi considerada a principal ameaça, já diminuiu bastante no Brasil. Hoje, o crescimento desordenado de construções turísticas ou portuárias em áreas de desova ameaça a continuidade do processo reprodutivo. A iluminação de praias de desova também é um problema, já que impacta diretamente os filhotes recém-nascidos, que desorientados não chegam ao mar”, diz.
A poluição dos mares, uma das grandes ameaças às tartarugas, é responsável pela mortalidade de milhares de espécies, principalmente juvenis. “A degradação dos mares e oceanos segue em ritmo acelerado. As estratégias de proteção das tartarugas vem dando resultado para estas espécies, mas há que se preocupar com a proteção do ambiente como um todo. Logicamente, os moradores das zonas costeiras têm uma responsabilidade direta sobre suas atitudes que impactam diretamente os mares, mas a sociedade de um modo geral necessita tomar atitudes mais rápidas, mais urgente”, alerta Henrique.
As espécies
Considerada a maior e mais pesada entre as espécies brasileiras, a tartaruga-de-couro (Dermochelys coriácea) chega a medir 178 centímetros e pesar 400 quilos. Com nadadeiras que podem atingir mais de dois metros, a espécie ocorre em todos os oceanos tropicais e temperados do mundo.
No Brasil, a desova ocorre no litoral norte do Espírito Santo, local onde a tartaruga-cabeçuda (Caretta caretta) também se reproduz. Conhecida também como tartaruga-mestiça, a espécie se diferencia das demais pela carapaça óssea, que apresenta cinco pares de placas laterais de coloração marrom-amarelado.
Carnívora, a tartaruga-mestiça se alimenta de caranguejos, moluscos, mexilhões e outros invertebrados. A dieta também é aderida pela tartaruga-oliva (Lepidochelys olivácea) que vive principalmente em águas rasas dos mares tropicais e subtropicais. Os jovens da espécie apresentam coloração cinzenta e os adultos possuem tons verde-cinzento-escuro.
A mais tropical de todas as espécies, a tartaruga-de-pente (Eretmochelys imbricata) está criticamente ameaçada de extinção. Comum entre mares tropicais e subtropicais dos oceanos Atlântico, Índico e Pacífico, se alimenta de esponjas, anêmonas, camarões e lulas. Na temporada de reprodução a espécie faz aproximadamente 2.200 ninhos que são desovados no litoral norte da Bahia, em Sergipe e no litoral sul do Rio Grande do Norte.
Diferente de todas as outras espécies, a tartaruga-verde (Chelonia mydas) não desova no litoral. O hábito de fazer os ninhos em ilhas oceânicas, onde a ação predatória do homem é mais controlada, ajuda na proteção da espécie.
Encontrada em águas costeiras com muita vegetação, além de ilhas e baías, a tartaruga-verde chega a medir 143 centímetros de comprimento. Quando filhote, a espécie é onívora e, quando atinge 25 centímetros de casco, se torna herbívora.
Fontes: g1, Superinteresante.
Foto: Arquivo TG.